A Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro, um dos principais templos religiosos do Brasil, passa por sua primeira grande reforma desde sua inauguração em 1976. A obra, prevista para ser concluída no primeiro semestre de 2026, é um marco na conservação de arte sacra, restauração de vitrais históricos e preservação do patrimônio religioso brasileiro.
O investimento estimado supera R$ 68 milhões e integra um pacote do Governo do Estado do Rio de Janeiro voltado à recuperação de patrimônios religiosos e culturais.
Conservação e restauração dos vitrais da Catedral Metropolitana do Rio
O elemento central da reforma é a restauração dos quatro vitrais monumentais que dominam o interior da Catedral Metropolitana do Rio. Esses vitrais possuem 68 metros de altura, base de 20 metros e 13 metros no cume, sendo compostos por mais de 2 mil pedaços de vidro colorido.
Segundo a avaliação técnica, aproximadamente 80% das peças estava em estado crítico ou bastante deteriorado, exigindo uma intervenção especializada em conservação e restauração de vitrais religiosos.
Os vitrais recebem os nomes Santa, Una, Católica e Apostólica, termos diretamente ligados à tradição da Igreja Católica.
Técnica dalle de verre aplicada à arte sacra contemporânea
Os vitrais da Catedral Metropolitana foram executados com peças espessas de 20 mm, inseridas em uma estrutura de concreto armado com base metálica interna. A técnica utilizada é conhecida como dalle de verre, método de origem francesa amplamente associado à arte sacra moderna e à arquitetura religiosa do século XX.
A técnica dalle de verre utiliza placas grossas de vidro incrustadas em concreto, permitindo a criação de imagens, cores e efeitos luminosos que filtram a luz natural e definem a identidade visual e simbólica do espaço litúrgico.
A restauração respeita integralmente o projeto original do arquiteto Edgar de Oliveira da Fonseca, autor do templo modernista inaugurado em 1976.
Especialização técnica na restauração de vitrais religiosos
O trabalho é conduzido pelo vitralista Cláudio Sacramento, responsável pela manutenção dos vitrais da Catedral Metropolitana há 35 anos. Ele lidera uma equipe de seis profissionais especializados em restauração, conservação e manutenção de vitrais históricos.
Cada painel é dividido em 51 linhas, com 10 seções, resultando em uma média de 500 peças por vitral, o que evidencia a complexidade técnica da obra e a necessidade de conhecimento aprofundado em conservação de bens culturais e arte sacra.
Preservação arquitetônica e proteção contra degradação urbana
Além da restauração dos vitrais, a reforma contempla a pintura da fachada externa da Catedral Metropolitana do Rio, que receberá um revestimento especial desenvolvido para maior resistência à ação do tempo e à poluição urbana.
A intervenção busca garantir a preservação de longo prazo de um dos principais exemplos de arquitetura religiosa modernista no Brasil.
Programa estadual de preservação do patrimônio religioso
A reforma da Catedral Metropolitana integra um programa do Governo do Estado que inclui também a recuperação da Catedral Presbiteriana, localizada no Centro do Rio de Janeiro, e do terreiro Ilé-Axé-Opô-Afonjá, em São João de Meriti, o primeiro terreiro tombado como patrimônio no estado.
O projeto reforça a importância da conservação do patrimônio religioso e cultural, contemplando diferentes tradições e expressões religiosas.













