Após desabamento em igreja histórica de Salvador, inspeções reforçam debate sobre conservação do patrimônio religioso

Equipe ConservArte

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Monitoramento preventivo de templos históricos na capital baiana amplia discussão sobre preservação de igrejas coloniais no Brasil

Após o desabamento de parte do teto da Igreja de São Francisco, em Salvador, ocorrido em 5 de fevereiro de 2025, autoridades passaram a intensificar as inspeções em igrejas históricas da cidade. Como medida preventiva, pelo menos 12 templos foram temporariamente interditados para avaliação estrutural e planejamento de ações de conservação.

O incidente aconteceu em um dos templos mais emblemáticos do período colonial brasileiro. Conhecida como “Igreja de Ouro”, devido à rica decoração interna com talha dourada, a Igreja de São Francisco integra um complexo religioso franciscano do século XVII no centro histórico de Salvador.

O desabamento causou a morte da turista italiana Giulia Righetto, de 26 anos, e deixou outras cinco pessoas feridas.

Igreja de São Francisco é referência da arte sacra colonial

A Igreja de São Francisco é considerada um dos conjuntos mais importantes da arte sacra colonial brasileira. O templo é conhecido pela riqueza de suas talhas douradas, esculturas, pinturas e azulejos portugueses.

Segundo a especialista em arte sacra Janaína Ayres, o monumento possui grande relevância histórica.

“A Igreja de São Francisco possui um conjunto extraordinário de pinturas, esculturas, talhas e azulejos, além de uma arquitetura imponente. Ela representa a forte presença da ordem franciscana na formação da sociedade brasileira”, explica.

Salvador foi a primeira capital do Brasil, entre 1549 e 1763, e concentra um grande número de igrejas construídas entre os séculos XVI e XVIII, muitas delas protegidas por órgãos de preservação do patrimônio histórico.

Estruturas antigas exigem manutenção constante

Especialistas lembram que igrejas históricas exigem monitoramento permanente, principalmente por causa dos materiais utilizados em sua construção.

O padre Edilson Conceição, coordenador da Comissão de Bens Culturais da Arquidiocese de Salvador, explica que muitos templos coloniais possuem estruturas de madeira.

“Nossa maior preocupação costuma ser com as estruturas de madeira, como telhados, forros e altares. Com o passar do tempo, fatores como umidade e a ação de insetos podem comprometer esses elementos”, afirma.

A comissão da arquidiocese acompanha a situação das igrejas históricas da cidade e atua identificando necessidades de conservação e manutenção.

Inspeções ampliadas em igrejas históricas

Após o incidente de fevereiro de 2025, a Defesa Civil de Salvador intensificou as inspeções em templos e edifícios históricos da cidade.

Como medida preventiva, diversas igrejas foram temporariamente fechadas para visitação enquanto passam por avaliações técnicas detalhadas.

Além das igrejas, levantamentos recentes indicam que 405 edificações históricas em Salvador apresentam algum nível de risco estrutural, reforçando a necessidade de políticas permanentes de preservação do patrimônio.

Desafio nacional de preservação do patrimônio histórico

A conservação de edifícios históricos é um desafio recorrente no Brasil. Um dos episódios mais marcantes foi o incêndio do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, em 2018, que destruiu grande parte do acervo científico e histórico acumulado ao longo de dois séculos.

Mais recentemente, o governo federal anunciou um programa de restauração que prevê intervenções em 144 edifícios históricos em diferentes regiões do país, incluindo igrejas, museus e outros bens culturais.

Formação de especialistas em restauro

Especialistas também apontam a necessidade de ampliar a formação de profissionais qualificados em conservação e restauro de patrimônio histórico.

Segundo o padre Edilson Conceição, iniciativas de formação técnica podem fortalecer a capacidade de preservação do patrimônio.

“Temos um patrimônio extraordinário, mas precisamos também formar profissionais preparados para cuidar dele”, afirma.

Preservar igrejas históricas é preservar a memória

As igrejas coloniais brasileiras não são apenas espaços religiosos. Elas guardam parte importante da história, da arte e da formação cultural do país.

A preservação desses templos envolve um trabalho contínuo que exige cooperação entre instituições públicas, Igreja, pesquisadores e sociedade civil.

Garantir a conservação dessas construções significa proteger não apenas edifícios históricos, mas também a memória e a identidade cultural do Brasil.

Pacto pela Preservação
COOPERAÇÃO TÉCNICA COMPROMETIDA COM A MEMÓRIA E A TRANSMISSÃO CULTURAL

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