Intervenção histórica no templo do século XVIII inclui reforço estrutural, restauração artística e criação de hospedaria para turismo religioso
As obras de restauração da Igreja e do Hospício de Nossa Senhora da Boa Viagem, em Salvador (BA), avançam com investimento total de R$ 7.209.079,96. O projeto, iniciado em abril de 2025, representa a primeira grande intervenção estrutural no templo desde sua inauguração, em 1741.
Na manhã de 28 de janeiro de 2026, a ministra da Cultura Margareth Menezes visitou o canteiro de obras para acompanhar o andamento dos trabalhos. A agenda contou também com a presença do superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) na Bahia, Hermano Guanais, do padre Davi, responsável pelo espaço, e da equipe técnica envolvida na restauração.
O projeto é financiado com recursos do Iphan e do Fundo de Direitos Difusos (FDD), do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Restauro inclui reforço estrutural e recuperação de elementos artísticos
As obras contemplam uma série de intervenções voltadas à preservação arquitetônica e artística do conjunto religioso.
Entre as ações previstas estão:
• restauração dos azulejos da entrada
• reforço estrutural da nave da igreja
• recuperação dos painéis de azulejos históricos
• restauro do assoalho e do forro da abóbada
• conservação de imagens sacras
• recuperação das esquadrias
Durante a execução da obra, foram identificados achados arqueológicos, além de fissuras e infiltrações que exigiram reforços estruturais adicionais.
Por esse motivo, o cronograma de conclusão foi prorrogado para julho de 2026.
Segundo o superintendente do Iphan na Bahia, Hermano Guanais, as intervenções precisaram ser ampliadas após análises mais detalhadas da estrutura do edifício.
Projeto busca fortalecer o turismo religioso
Além da restauração do templo, o projeto prevê a implantação de uma hospedaria no complexo, iniciativa que busca ampliar o fluxo de visitantes e fortalecer o turismo religioso na região.
Durante a visita, a ministra Margareth Menezes destacou a importância de investir na preservação do patrimônio histórico brasileiro.
“Há obras prioritárias que precisam ser viabilizadas. A restauração da Igreja da Boa Viagem é fundamental para preservar a cultura sacra e fortalecer o turismo religioso em Salvador”, afirmou.
Novo centro cultural é inaugurado no Pelourinho
Ainda durante sua agenda em Salvador, a ministra inaugurou o Centro Cultural ACASA de Maria, localizado no bairro do Taboão, no Pelourinho.
O espaço funciona em um casarão ao lado da Associação Criança na Arte Sarajane (ACASA) e amplia as atividades culturais, educacionais e sociais desenvolvidas pela instituição há mais de três décadas.
A cerimônia contou com a presença de artistas, gestores culturais e moradores da região.
Durante o evento também foram realizados:
• lançamento do documentário Marisqueiras Quilombolas da Costa do Dendé
• abertura de uma exposição da artista plástica Débora Fontes
A cantora e ativista cultural Sarajane, fundadora da instituição, destacou o papel da arte como ferramenta de transformação social.
“A cultura é emoção, alegria e transformação. Através da arte é possível formar pessoas e preparar o ser humano para uma vida mais plena”, afirmou.
Cultura, patrimônio e desenvolvimento local
Para a ministra da Cultura, iniciativas culturais como a restauração de monumentos históricos e a criação de espaços culturais têm impacto direto no desenvolvimento social e econômico.
“A cultura gera emprego, renda e fortalece a identidade dos territórios”, destacou.
Com 33 anos de atuação, a ACASA já impactou centenas de famílias por meio de ações de formação cultural, valorização das tradições locais e apoio à comunidade.
Preservação do patrimônio histórico
A restauração da Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem reforça a importância da conservação de templos históricos brasileiros.
Além de espaços religiosos, essas construções representam parte fundamental da memória cultural do país e desempenham papel relevante no turismo histórico e religioso.
Iniciativas de restauro como essa contribuem para garantir que esses patrimônios continuem acessíveis às futuras gerações.













