Um ano após reabertura, Santuário Mariano Madre de Deus consolida papel como símbolo da fé e da memória da Amazônia
A restauração da Igreja Matriz Madre de Deus, localizada em Vigia de Nazaré, no Pará, completou um ano em dezembro de 2025. A obra, realizada pelo Governo do Estado do Pará por meio da Secretaria de Cultura (Secult), marcou um novo capítulo na história do templo do século XVIII, considerado uma das mais importantes construções religiosas da Amazônia.
Com investimento de R$ 5,2 milhões, o restauro foi entregue em dezembro de 2024 e representou o conjunto de intervenções mais amplo realizado no monumento em cerca de 70 anos.
Hoje elevado à categoria de Santuário Mariano Diocesano, o templo voltou a receber peregrinos e visitantes, fortalecendo o turismo religioso e cultural na região do Salgado paraense.
Monumento histórico ligado à origem do Círio mais antigo do Pará
Vigia de Nazaré é reconhecida como berço da devoção nazarena no estado, origem do Círio mais antigo do Pará.
Nesse contexto, a Igreja Madre de Deus ocupa posição central na história religiosa e cultural da cidade.
Segundo o pároco do santuário, Padre Silvestre Sales, o templo representa um elo entre a tradição e a vida religiosa contemporânea da região.
“Este santuário é o coração da vida religiosa de nossa comunidade. Ele conecta um passado rico em história e espiritualidade com o presente da Igreja no interior do Pará”, afirma.
Intervenções estruturais garantiram preservação do edifício
Entre as principais obras realizadas durante o restauro estão intervenções estruturais importantes para garantir a conservação do templo.
De acordo com o ministro da Sagrada Comunhão Marcos Moraes, a cobertura da igreja apresentava comprometimentos que exigiram ações profundas.
Entre os trabalhos executados estão:
• substituição de vigas da estrutura do telhado
• reforço da sustentação da cobertura
• instalação de sub-telhado metálico para proteção estrutural
“A restauração demonstra o compromisso em preservar um monumento que é marco da evangelização na Amazônia”, destacou Moraes.
Patrimônio arquitetônico singular na América
Além da importância religiosa, a igreja possui grande relevância histórica e arquitetônica.
O pesquisador e escritor Nélio Palheta, morador de Vigia, destaca que a matriz possui características raras dentro da arquitetura jesuítica.
Segundo ele, trata-se de um modelo arquitetônico pouco comum.
“Sua importância está no fato de ser a única igreja com esse tipo de arquitetura em toda a América, desde Buenos Aires até a Califórnia. Apenas um templo semelhante foi construído pela Companhia de Jesus na Índia”, explica.
Após a restauração, elementos históricos do interior voltaram a ganhar destaque, incluindo:
• piso hidráulico restaurado
• sacristia ornamentada
• teto com quatro representações da Virgem Maria
Igreja passa a receber exposições e visitantes
Depois da reabertura, o templo também passou a sediar atividades culturais, como exposições de arte sacra realizadas em parceria com a prefeitura de Vigia.
Segundo a secretária de Cultura do Pará, Úrsula Vidal, a restauração simboliza o reconhecimento da importância histórica da cidade.
“A cidade mais antiga do Pará guarda uma joia arquitetônica tombada há mais de 70 anos pelo IPHAN. Restaurar esse patrimônio é reafirmar nosso compromisso com a memória e com o desenvolvimento cultural da região”, afirmou.
Patrimônio histórico e desenvolvimento cultural
Além de preservar um importante monumento religioso, o projeto também contribui para ampliar ações de educação patrimonial e valorização cultural na região.
Um ano após a conclusão das obras, a Igreja Madre de Deus continua desempenhando papel central na vida religiosa, cultural e turística de Vigia de Nazaré.
Para a população local e para os peregrinos que visitam a cidade, o templo permanece como um símbolo da fé, da história e da identidade amazônica.













