Módulo Conservação Preventiva em Papel e Fibras Têxteis

Neste módulo do Curso ConservArte, os participantes serão introduzidos às principais características dos materiais em papel e têxteis, compreendendo suas vulnerabilidades, formas de deterioração e cuidados básicos de conservação preventiva. Serão abordadas noções introdutórias sobre papéis, pergaminhos, couro, fibras naturais e sintéticas, além das condições ideais de armazenamento, exposição, higienização e manuseio.

 

DIA:16 de maio de 2026
HORA:10h as 17h
TIPO:Aula Teórica e Prática
LOCAL:Palacete Brando Barbosa. Rua Lopes Quintas, 497, Jardim Botânico, Rio de Janeiro - RJ.
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Ementa

O módulo aborda materiais em papel e fibras têxteis como bens culturais de natureza material, histórica, documental e simbólica, considerando suas características físicas, usos, vulnerabilidades e condições de conservação. Serão apresentados diferentes tipos de suportes em papel, pergaminho, couro e materiais têxteis, com atenção às suas composições, técnicas de fabricação e principais formas de deterioração.

 

A atividade propõe uma introdução à observação técnica de livros, documentos, fotografias, tecidos e outros materiais sensíveis, com foco na identificação do estado de conservação, nas condições ambientais adequadas à preservação e nas boas práticas de higienização, acondicionamento, guarda e manuseio. O curso também buscará sensibilizar os participantes para a importância da documentação, do monitoramento contínuo e da atuação responsável diante de acervos históricos, religiosos, museológicos, institucionais e comunitários.

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

  • Tipos de pinturas e suas principais características no patrimônio cultural.
  • Características e usos de materiais em papel e fibras têxteis no patrimônio cultural.
  • Papel, pergaminho e couro: composição, fabricação, aplicações e vulnerabilidades.
  • Livros, documentos, fotografias e outros materiais em papel presentes em acervos históricos e religiosos.
  • Fibras têxteis de origem animal: seda e lã.
  • Fibras têxteis de origem vegetal: algodão, linho e cânhamo.
  • Fibras sintéticas e suas especificidades de conservação.
  • Noções introdutórias sobre técnicas têxteis, costuras, bordados e acabamentos.
  • Fatores ambientais que interferem na conservação de papéis e têxteis: luz, umidade relativa, temperatura, poeira, poluição, ventilação, agentes biológicos e condições de acondicionamento.
  • Identificação introdutória do estado de conservação: rasgos, perdas, manchas, acidificação, deformações, fragilidade estrutural, ataques biológicos, desbotamentos, deformações têxteis e depósitos superficiais.
  • Boas práticas de manuseio, higienização superficial e conservação preventiva de livros, documentos e tecidos.
  • Cuidados básicos com exposição, guarda, acondicionamento, transporte e documentação de materiais cartáceos e têxteis.
  • Limites entre conservação preventiva, conservação curativa e restauração, com ênfase na necessidade de atuação profissional especializada em casos de intervenção.

 

OBJETIVOS

  • Compreender materiais em papel e fibras têxteis como bens culturais compostos por diferentes materiais, técnicas e funções históricas.
  • Reconhecer os principais tipos de papéis, pergaminhos, couros e fibras têxteis presentes em acervos históricos, religiosos e museológicos.
  • Identificar fatores ambientais e formas de uso, exposição e manuseio que podem comprometer a conservação desses materiais.
  • Desenvolver uma observação técnica inicial voltada à identificação do estado de conservação.
  • Apresentar boas práticas de conservação preventiva aplicáveis a materiais em papel e fibras têxteis.
  • Sensibilizar os participantes para a importância da documentação, do monitoramento e do encaminhamento adequado de situações que exijam avaliação especializada.

 

ATIVIDADES PRÁTICAS

A atividade prática será dedicada ao exercício do olhar técnico sobre materiais em papel e fibras têxteis, tendo como ponto de partida a ficha de inspeção. Mais do que registrar informações, os participantes serão convidados a observar livros, documentos, fotografias, tecidos e outros materiais como estruturas compostas por diferentes fibras, suportes, técnicas de fabricação, marcas de uso e sinais de deterioração.

Por meio de exemplos visuais, objetos didáticos e materiais de apoio, serão explorados aspectos como a identificação de fibras vegetais, animais e sintéticas, características do papel, do pergaminho e do couro, além das alterações aparentes e dos principais fatores de risco associados à conservação desses materiais. A proposta é compreender como luz, umidade, temperatura, poeira, manuseio inadequado, acondicionamento incorreto e ação biológica podem comprometer sua preservação.

Ao longo da atividade, os participantes serão orientados a reconhecer sinais de atenção, como manchas, acidificação, fragilidade estrutural, rasgos, deformações, perdas, desbotamentos, depósitos superficiais e ataques biológicos, sempre a partir de uma abordagem introdutória, educativa e não interventiva.

A atividade buscará aproximar o participante da rotina básica de observação, documentação e conservação preventiva, estimulando uma postura responsável diante de acervos históricos, religiosos, museológicos, institucionais e comunitários. Não serão realizados procedimentos de restauração, mas serão apresentadas ferramentas iniciais para compreender, registrar e encaminhar adequadamente situações que demandem cuidado especializado.

  

BIBLIOGRAFIA BÁSICA

CHOAY, Françoise. Sept propositions sur le concept d’authenticité et son usage dans les pratiques du patrimoine historique”. In: UNESCO. Nara Conference on Authenticity. Paris: Unesco, 1995, p. 101‐120.

VASARI, Giorgio. Le vite dei più eccellenti pittori, scultori e architetti. Editora Liberliber.

XIII congresso nazionale IGIIC – lo stato dell’arte – Centro conservazione e restauro la Venaria Reale – Torino 22/24 ottobre 2015, pag. 161: L’intervento con i gel di agar sulle pitture murali del Trecento nella cappella di Sant Miquel, al monastero reale di Santa Maria de Pedralbes di Barcellona

Wolbers, Richard, “Un approccio acquoso alla pulitura dei dipinti”, Quaderni del Cesmar7, n.1. Casa

Editrice Il Prato, Padova 2004. / Wolbers, Richard, “La pulitura di superfici dipinte. Metodi acquosi”, Collana Maestri del Restauro, 1, Il Prato, Padova, 2005.

ORIENTAÇÕES AOS PARTICIPANTES

Solicita-se que os participantes tragam avental, jaleco ou vestimenta similar para a atividade prática. Os demais materiais necessários serão disponibilizados pela organização do curso.

Informamos que o local não dispõe de estacionamento. Recomenda-se, portanto, que os participantes deem preferência ao transporte público ou a outros meios alternativos de deslocamento.

A alimentação será de responsabilidade de cada participante.

 

SOBRE OS DOCENTES

 

Carlo Pagani (http://lattes.cnpq.br/6423602721277267)

Conservador-restaurador com destacada trajetória internacional no campo do patrimônio cultural, com formação técnica na Itália e atuação consolidada no Brasil. Doutor em Políticas Públicas e Formação Humana pela UERJ, mestre em Educação, com pós-doutorado em investigações artístico-científicas aplicadas ao patrimônio cultural e formação técnica em Química, desenvolve uma abordagem interdisciplinar que articula ciência, arte e conservação.

 

Foi conservador-restaurador do Museu Nacional da UFRJ, onde atuou também com ênfase em bens culturais em madeira, e professor do curso de Conservação e Restauração da Universidade Federal do Rio de Janeiro, além de ter colaborado com instituições nacionais e internacionais, como o Centro Conservazione e Restauro La Venaria Reale, na Itália. Sua experiência profissional inclui intervenções e assessorias voltadas a acervos eclesiásticos, mobiliário histórico, pinturas e bens culturais integrados.

 

Reconhecido por sua atuação na formação de profissionais e por sua experiência prática em campo, Carlo Pagani é referência na conservação de bens culturais, com especial atenção aos contextos religiosos e paroquiais.

 

Tássia Rocha (https://lattes.cnpq.br/1038921622928612)

Professora e restauradora. Doutoranda em Artes Visuais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e mestre em História e Crítica da Arte pela mesma instituição. Realizou doutorado sanduíche na Università degli Studi della Campania Luigi Vanvitelli, na Itália.

 

É graduada em Conservação e Restauração pelo Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG) e em História pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Sua pesquisa atual investiga a consciência patrimonial no Brasil no século XIX.

Curso ConserVarte
SAIBA MAIS SOBRE O

Curso ConserVarte

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O Curso ConservArte é um programa formativo dedicado à educação patrimonial, conservação preventiva, história da arte e valorização do patrimônio cultural, com atenção especial à arte sacra, aos acervos históricos e aos bens culturais brasileiros.

Mais do que um curso técnico, o ConservArte propõe uma mudança de olhar. Ele ensina o participante a perceber a obra, o objeto, o espaço histórico e o acervo não apenas como algo antigo ou bonito, mas como matéria, memória, linguagem e responsabilidade coletiva.

A proposta combina aulas teóricas, oficinas práticas, visitas técnicas orientadas, encontros com especialistas e atividades de observação, sempre com uma abordagem acessível, mas séria, qualificada e institucional. O curso aproxima o público de temas como iconografia, conservação de pinturas, madeira, mobiliário, imaginária sacra, museologia, reservas técnicas, preservação de igrejas históricas, leitura de acervos e cuidados preventivos.

O grande diferencial do ConservArte é transformar a conservação em uma experiência educativa. Em vez de tratar o patrimônio como algo distante, restrito a especialistas ou fechado dentro dos museus, o curso convida pessoas interessadas, estudantes, agentes culturais, religiosos, voluntários, profissionais e instituições a compreenderem que preservar começa antes do restauro, no cuidado cotidiano, na observação atenta e na consciência do valor cultural daquilo que recebemos.

O Curso ConservArte é uma iniciativa formativa da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, UERJ, e do Instituto Pro Bono Brasil, realizada em parceria com diversas instituições comprometidas com a preservação do patrimônio cultural, entre elas o Museu Arquidiocesano de Arte Sacra do Rio de Janeiro, MAAS RJ, a Associação de Amigos da Antiga Sé, a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, o Instituto Light e o Instituto Brando Barbosa.

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