CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
- A pedra como material constitutivo do patrimônio cultural.
- Principais tipologias de materiais pétreos e suas características.
- Usos da pedra em bens culturais: esculturas, cantarias, fachadas, pisos, lápides, fontes, ornamentos arquitetônicos e acervos museológicos.
- Diferenças entre bens móveis, bens integrados e elementos arquitetônicos em pedra.
- Condições ambientais ideais para a conservação de bens pétreos.
- Fatores de degradação: umidade, poluição, sais, variações térmicas, agentes biológicos, manuseio, exposição inadequada e ação humana.
- Identificação introdutória do estado de conservação.
- Reconhecimento de sujidades, manchas, fissuras, perdas, abrasões, crostas, incrustações, biodeterioração e alterações superficiais.
- Boas práticas de higienização e conservação preventiva.
- Cuidados básicos com exposição, guarda, circulação, manuseio e documentação.
- Limites entre higienização, conservação preventiva, conservação curativa e restauração.
- Encaminhamento adequado de situações que exijam avaliação técnica especializada.
OBJETIVOS
- Compreender a pedra como material de grande relevância na constituição do patrimônio histórico, artístico, religioso, urbano e museológico.
- Reconhecer diferentes tipologias e usos da pedra em bens culturais.
- Identificar fatores ambientais e formas de exposição que podem comprometer a conservação de materiais pétreos.
- Desenvolver uma observação técnica inicial voltada ao reconhecimento do estado de conservação.
- Apresentar boas práticas de higienização e conservação preventiva aplicáveis a bens culturais em pedra.
- Sensibilizar os participantes para a importância da documentação, do monitoramento e da atuação responsável diante de bens pétreos.
- Reforçar os limites entre cuidados preventivos e procedimentos de restauração, destacando a necessidade de profissionais especializados em casos de intervenção.
ATIVIDADE PRÁTICA
A atividade prática será dedicada ao exercício do olhar técnico sobre bens culturais em pedra, tendo como ponto de partida a observação de exemplos visuais, amostras didáticas e/ou peças selecionadas para fins educativos.
Os participantes serão convidados a identificar características do material, formas de uso, alterações aparentes e fatores de risco associados à conservação de superfícies pétreas. A proposta é compreender como a pedra responde ao ambiente, ao tempo, à umidade, à poluição, à ação biológica, ao contato humano e a práticas inadequadas de limpeza ou manutenção.
Por meio de orientação técnica, serão observados aspectos como sujidades, manchas, fissuras, perdas, abrasões, crostas, incrustações, presença de sais, sinais de biodeterioração e alterações superficiais. A atividade também poderá incluir o preenchimento de ficha de inspeção adaptada ao módulo, estimulando a documentação básica e a sistematização do olhar.
A abordagem terá caráter introdutório, educativo e não interventivo. Não serão realizados procedimentos de restauração. Serão apresentadas noções de boas práticas de higienização e conservação preventiva, sempre com ênfase na segurança do bem cultural e na necessidade de avaliação especializada em situações de maior complexidade.
METODOLOGIA
O módulo será desenvolvido por meio de exposição dialogada, análise de exemplos, observação orientada e atividade prática introdutória.
A primeira parte será dedicada à apresentação dos principais conceitos relacionados às tipologias, características e usos da pedra no patrimônio cultural, bem como aos fatores ambientais e agentes de degradação que interferem em sua conservação.
Na etapa prática, os participantes serão orientados a observar materiais, superfícies e alterações aparentes, exercitando a identificação do estado de conservação e a compreensão das boas práticas de cuidado. A metodologia buscará aproximar os conteúdos teóricos da realidade cotidiana de instituições culturais, igrejas, museus, acervos históricos, jardins, monumentos e edificações patrimoniais.
PÚBLICO-ALVO
Estudantes, pesquisadores, educadores, agentes culturais, voluntários, profissionais de museus, membros de instituições culturais, responsáveis por acervos, integrantes de comunidades religiosas e demais interessados em patrimônio histórico, conservação preventiva, restauração, arte sacra, museologia e educação patrimonial.
ORIENTAÇÕES AOS PARTICIPANTES
- Solicita-se que os participantes tragam avental, jaleco ou vestimenta similar para a atividade prática.
- Recomenda-se o uso de calçado fechado e confortável.
- Os demais materiais necessários serão disponibilizados pela organização do curso.
- Informamos que o local não dispõe de estacionamento. Recomenda-se que os participantes deem preferência ao transporte público ou a outros meios alternativos de deslocamento.
- A alimentação será de responsabilidade de cada participante.
- Programa sujeito a alterações.
SOBRE OS DOCENTES / COORDENAÇÃO
Carlo Pagani
Conservador-restaurador com destacada trajetória internacional no campo do patrimônio cultural, com formação técnica na Itália e atuação consolidada no Brasil. Doutor em Políticas Públicas e Formação Humana pela UERJ, mestre em Educação, com pós-doutorado em investigações artístico-científicas aplicadas ao patrimônio cultural e formação técnica em Química, desenvolve uma abordagem interdisciplinar que articula ciência, arte e conservação.
Foi conservador-restaurador do Museu Nacional da UFRJ, onde atuou também com ênfase em bens culturais em madeira, e professor do curso de Conservação e Restauração da Universidade Federal do Rio de Janeiro, além de ter colaborado com instituições nacionais e internacionais, como o Centro Conservazione e Restauro La Venaria Reale, na Itália. Sua experiência profissional inclui intervenções e assessorias voltadas a acervos eclesiásticos, mobiliário histórico, pinturas e bens culturais integrados.
Reconhecido por sua atuação na formação de profissionais e por sua experiência prática em campo, Carlo Pagani é referência na conservação de bens culturais, com especial atenção aos contextos religiosos e paroquiais.
Tássia Rocha
Professora e restauradora. Doutoranda em Artes Visuais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e mestre em História e Crítica da Arte pela mesma instituição. Realizou doutorado sanduíche na Università degli Studi della Campania Luigi Vanvitelli, na Itália.
É graduada em Conservação e Restauração pelo Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG) e em História pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Sua pesquisa atual investiga a consciência patrimonial no Brasil no século XIX.
Daniel Gil
Presidente de Pro Bono Brasil, organização sem fins lucrativos dedicada ao desenvolvimento de projetos nas áreas de educação, cultura, sustentabilidade, economia criativa e impacto social. Há mais de 20 anos atua na concepção, estruturação e gestão de iniciativas interdisciplinares voltadas ao desenvolvimento humano, à inovação institucional e à valorização de territórios, articulando parcerias entre universidades, poder público, setor privado e organizações da sociedade civil.
No campo cultural e educacional, tem trajetória ligada à formulação de projetos de extensão, programas de formação, ações de fomento à economia criativa e iniciativas de preservação da memória e do patrimônio cultural. Foi vice-reitor da Faculdade Béthencourt da Silva, coordenador de projetos de extensão na PUC-Rio, diretor de projetos da Academia Brasileira de Filosofia e coordenador de Economia Criativa e Inovação da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro.
À frente do Instituto Pro Bono Brasil, participa da idealização e coordenação de projetos voltados à educação patrimonial, conservação preventiva, formação de agentes multiplicadores e fortalecimento de instituições culturais. No âmbito do ConservArte, contribui para a articulação institucional e estratégica da iniciativa, aproximando saberes acadêmicos, práticas de preservação e compromisso público com a salvaguarda de bens culturais, históricos, artísticos e religiosos.
Também dirige a DVS Projetos, dedicada à estruturação de iniciativas de alto impacto em educação, inovação e tecnologia, e coordena o time de desenvolvimento da Biblioteca Virtual Pearson. Sua atuação combina gestão de projetos complexos, articulação institucional, planejamento estratégico e viabilização técnica e financeira de soluções inovadoras com impacto social e cultural.