CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
- Tipos de pinturas e suas principais características no patrimônio cultural.
- Pintura mural em alvenaria: pintura a seco, afresco e outras técnicas aplicadas à arquitetura.
- Pintura sobre painel de madeira: suporte, preparação, camada pictórica e vulnerabilidades específicas.
- Pintura sobre tela: cânhamo, linho, algodão e outros suportes têxteis.
- Principais técnicas pictóricas: óleo, têmpera, aquarela e outras modalidades relevantes.
- Noções sobre camadas constitutivas da pintura: suporte, preparação, desenho, camada pictórica, vernizes e acabamentos.
- Fatores ambientais que interferem na conservação de pinturas: luz, umidade relativa, temperatura, poeira, poluição, ventilação, presença de agentes biológicos e condições de exposição.
- Identificação introdutória do estado de conservação: sujidades, manchas, perdas, craquelês, desprendimentos, deformações, fissuras, abrasões, ataques biológicos e alterações cromáticas.
- Boas práticas de manuseio, higienização superficial e conservação preventiva.
- Cuidados básicos com exposição, guarda, transporte e documentação de pinturas.
- Limites entre conservação preventiva, conservação curativa e restauração, com ênfase na necessidade de atuação profissional especializada em casos de intervenção.
OBJETIVOS
- Compreender a pintura como bem cultural composto por diferentes materiais, técnicas e suportes.
- Reconhecer os principais tipos de pintura presentes em acervos históricos, artísticos, religiosos e museológicos.
- Identificar fatores ambientais e formas de uso, exposição e manuseio que podem comprometer a conservação de pinturas.
- Desenvolver uma observação técnica inicial voltada à identificação do estado de conservação.
- Apresentar boas práticas de conservação preventiva aplicáveis a pinturas murais, pinturas sobre madeira e pinturas sobre tela.
- Sensibilizar os participantes para a importância da documentação, do monitoramento e do encaminhamento adequado de situações que exijam avaliação especializada.
ATIVIDADES PRÁTICAS
A atividade prática será dedicada ao exercício do olhar técnico sobre pinturas, tendo como ponto de partida a ficha de inspeção. Porém, mais do que registrar informações, os participantes serão convidados a observar diferentes tipos de pinturas como conjuntos de camadas, materiais, escolhas técnicas, marcas do tempo e sinais de conservação.
Por meio de exemplos visuais e recursos didáticos, serão explorados aspectos como a identificação do suporte, da técnica pictórica, das camadas constitutivas, das alterações aparentes e dos principais fatores de risco associados à conservação de pinturas. A proposta é compreender como uma pintura se estrutura materialmente e de que maneira luz, umidade, temperatura, poeira, manuseio, exposição inadequada e ação do tempo podem afetar sua permanência.
Ao longo da atividade, os participantes serão orientados a reconhecer sinais de atenção, como sujidades, manchas, fissuras, craquelês, perdas, desprendimentos, deformações e alterações cromáticas, sempre a partir de uma abordagem introdutória, educativa e não interventiva.
A atividade buscará aproximar o participante da rotina básica de observação, documentação e conservação preventiva, estimulando uma postura responsável diante de pinturas pertencentes a acervos históricos, religiosos, museológicos, institucionais e comunitários. Não serão realizados procedimentos de restauração, mas serão apresentadas ferramentas iniciais para compreender, registrar e encaminhar adequadamente situações que demandem cuidado especializado.
ORIENTAÇÕES AOS PARTICIPANTE
- Solicita-se que os participantes tragam avental, jaleco ou vestimenta similar para a atividade prática. Os demais materiais necessários serão disponibilizados pela organização do curso.
- Informamos que o local não dispõe de estacionamento. Recomenda-se, portanto, que os participantes deem preferência ao transporte público ou a outros meios alternativos de deslocamento.
- A alimentação será de responsabilidade de cada participante.
SOBRE OS DOCENTES
Carlo Pagani (http://lattes.cnpq.br/6423602721277267)
Conservador-restaurador com destacada trajetória internacional no campo do patrimônio cultural, com formação técnica na Itália e atuação consolidada no Brasil. Doutor em Políticas Públicas e Formação Humana pela UERJ, mestre em Educação, com pós-doutorado em investigações artístico científicas aplicadas ao patrimônio cultural e formação técnica em Química, desenvolve uma abordagem interdisciplinar que articula ciência, arte e conservação.
Foi conservador-restaurador do Museu Nacional da UFRJ, onde atuou também com ênfase em bens culturais em madeira, e professor do curso de Conservação e Restauração da Universidade Federal do Rio de Janeiro, além de ter colaborado com instituições nacionais e internacionais, como o Centro Conservazione e Restauro La Venaria Reale, na Itália. Sua experiência profissional inclui intervenções e assessorias voltadas a acervos eclesiásticos, mobiliário histórico, pinturas e bens culturais integrados.
Reconhecido por sua atuação na formação de profissionais e por sua experiência prática em campo, Carlo Pagani é referência na conservação de bens culturais, com especial atenção aos contextos religiosos e paroquiais.
Tássia Rocha (http://lattes.cnpq.br/1038921622928612)
Professora e restauradora. Doutoranda em Artes Visuais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e mestre em História e Crítica da Arte pela mesma instituição. Realizou doutorado sanduíche na Università degli Studi della Campania Luigi Vanvitelli, na Itália.
É graduada em Conservação e Restauração pelo Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG) e em História pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Sua pesquisa atual investiga a consciência patrimonial no Brasil no século XIX.